16 janeiro 2010

Museu de Jundiaí e seus ferromodelos

Sempre que posso visito o museu ferroviário de Jundiaí. Além de ficar relativamente perto de minha casa (coisa de 40km), posso ir "por dentro", por trechos da estrada velha de Campinas e também margeando a linha da antiga CP. Assim posso passar pelas estações de Valinhos, Vinhedo, Louveira e finalmente Jundiaí. Viajar pelas estradas vicinais desse interiorzão paulista está entre um de meus maiores prazeres.

No museu de Jundiaí, as minhas peças favoritas de seu acervo são os ferromodelos, especialmente as miniaturas de locomotivas à vapor. Até onde eu sei elas são funcionais, ou seja, funcionam (ou funcionavam) movidas à vapor mesmo. Veja o vídeo abaixo, um filme de 1968, mostrando a consolidation miniatura 1926 da CP funcionando à vapor para o público de uma exposição retrospectiva (em 1968 a CP fazia 100 anos):

A locomotiva mais bonita e bem acabada, na minha opinião, é a locomotiva da Mogiana. Construida pelo avô do tio da minha esposa, que foi torneiro mecânico na Mogiana e também ajudou a construir as locomotivas grandes, a pequena locomotiva é um modelo fiel do que fora as três últimas locomotivas construídas (1939) pela Mogiana em Campinas, SP, três grande consolidations de bitola métrica. A miniatura ficava em Campinas no Museu da Mogiana (foto) e com a emcampação da CM pela FEPASA o tal museu foi extinto e seu acervo transferido para Jundiaí, sede da FEPASA. Ela (a miniatura) tem seu acabamento dividido em 2: o acabamento do lado do maquinista (lado direito) está completo, enquanto o acabamento do lado do foguista (lado esquerdo) é propositadamente incompleto, mostrando detalhes que não apareceriam se o acabamento fosse completo. Isso faz dela uma miniatura excelente para fins didáticos.

Da última vez que fui a Dona Aparecida, a guia do museu de Jundiaí, reservara uma superpresa para este fã declarado da Cia Mogiana: ela colocou a pequena locomotiva para funcionar! É certo que foi uma adaptação feita por um funcionário da prefeitura, mas mesmo assim foi muito emocionante vê-la "em ação". A tal adaptação consite em um motor elétrico que faz o conjunto motriz da locomotiva "rodar".

A Mogiana, além de ter sido a primeira empresa nacional a construir uma locomotiva à vapor (1908), foi também a "fabricante" nacional que mais construiu, com 20 locomotivas à vapor, todas absorvidas pela própria Mogiana. Uma delas inclusive ganhou o Grande Prêmio na exposição comemorativa do Centenário da Independência do Brasil realizada no Rio de Janeiro.

O museu tem muito material de outras Cias que formaram a FEPASA, mas a grande maioria do acervo é composto mesmo por peças da Cia Paulista e Cia Mogiana. Ao lado da entrada do museu, na parte de fora, é possível conhecer algumas locomotivas que perteceram a Cia Paulista. Mas na minha opinião a atração daquele "pedaço" é o pequeno guindaste à vapor da CP. Lindo! Veja um vídeo dele em serviço (na verdade não sei se é o mesmo), num desastre de 1965 em Louveira:

O complexo que abriga o museu fora originalmente os escritórios e oficinas da Cia Paulista, empresa campineira que durante a epidemia de febre amarela que arrasou a cidade no final século XIX resolveu se mudar para a outra ponta da linha, Jundiaí, que aliás, era seu quilometro zero e entroncamento com a "Inglesa" (São Paulo Railway). O prédio principal do complexo é belíssimo, todo em tijola à vista ao melhor estilo europeu da época. Guardado em um canto abandonado do complexo está a locomotiva No. 1 da Cia Paulista, juntamente com outros materiais históricos de valor incalculável.

Não pretendo me alongar mais, apenas dizer que o museu merece sua visita.

Fotos: Paulo Filho
Vídeos: Cinemateca Nacional, acervo da antiga TV Tupi, uma dica de Luiz Salles da SBF.

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