25 julho 2017

G12 Prema é muito chic!

A G12 é uma locomotiva icônica na história da ferrovia brasileira. Em muitos casos ela foi a locomotiva diesel-elétrica escolhida para fazer a transição entre a era de locomoção à vapor e a diesel. Sobreviveu ao fim das ferrovias originais, à estatização das década de 60/70 e algumas delas chegaram inclusive aos dias de hoje, ainda operando em ferrovias concessionárias. Ela é portanto uma locomotiva que simplesmente NÃO PODE FALTAR em uma coleção que aborde ferrovias brasileiras.

Entretanto, a realidade do ferromodelista brasileiro que decide modelar a histórica G12 era, até agora, limitada a quatro opções: os excelentes mas caríssimos modelos em latão da MRCustom (do Marcelo Lordeiro) e do Segis&Mascarini, as carcaças em resina da Hobbytec ou a G12 da Frateschi, vendida como H0, mas gritantemente fora dessa escala e com flagrantes problemas de fidelidade ao protótipo.

Disposta a mudar esse panorama, a Prema lançou semana passada seu primeiro modelo: a G12 versão “Cabeça de Saúva” na escala H0 (1:87,1). Sem muito alarde, divulgando a novidade em um esquema praticamente de “guerrilha”, em redes sociais e grupos de WhatsApp, a G12 da Prema parece ter sido muito bem recebida pelo mercado. Primeiro por que é uma felicidade para todos que modelam ferrovias nacionais ter uma G12 em escala industrial finalmente na escala H0 correta, a um preço mais acessível que uma de latão. Segundo por que o consumidor entende a importância de se ter mais empresas acreditando no ferromodelismo nacional. Se a Frateschi não fizer um lançamento revolucionário no próximo evento da marca, este da Prema terá sido o mais importante lançamento do ferromodelismo nacional este ano.

Eu comprei a minha no domingo a noite, no primeiros dia de vendas, por R$800,00 mais correio e na quarta-feira seguinte já estava com ela em mãos. A Prema fazia as vendas via Mercado Livre, mas agora tem seu próprio canal de vendas, via PagSeguro. São duas as versões, pintada e sem pintura. A embalagem chegou sem nenhum problema, mas me admirou que se tratava da própria embalagem da locomotiva apenas embrulhada com papel craft. Normalmente os vendedores colocam a embalagem dentro de outra caixa e a protegem com plástico bolha e espuma.

A caixa tem um acabamento fino, textura acetinada, com impressão offset. Ao abrir, uma outra embalagem, de plástico, envolto em espuma, protege a locomotiva. A minha veio sem pintura, por que eu quero modelar a Companhia Paulista e por enquanto a Prema só produziu com pintura ALL.

A primeira coisa que se nota ao pegar a locomotiva nas mãos é o seu peso: cerca de 400 gramas. Ela certamente deve dar conta de puxar muitos vagões! A segunda coisa a se notar é a qualidade superior dos detalhes. A injeção do plástico é muito boa e alguns detalhes estratégicos são feitos em metal, como a grade do ventilador do freio dinâmico, defletores, grades do radiador, limpador de janelas e alguns pega-mãos. Havia uma expectativa da minha parte com relação ao material usado nas rodas. Havia boatos de que eram de latão cru, mas ao virar a locomotiva fiquei feliz em constatar que eram de “niquel-prata”, assim como qualquer outra locomotiva importada. Feliz com as rodas, triste com as janelas: Elas foram produzidas com rebaixos desnecessários que fizeram com que o aspecto final ficasse grosseiro, incompatível com o resto da locomotiva. Eu provavelmente farei vidros novos para a minha.

A próxima providência foi abri-la para dar uma olha na mecânica. Foram 8 parafusos para soltar a carcaça do chassi: 2 dos engates, 2 atrás da testeira do motor e 4 no centro, na área do tanque de combustível. O chassi é de Zamac e o grande responsável pelo excelente peso final da locomotiva. O motor é de 5 polos e possui volante de inércia. Há uma placa de circuito impresso com um plug pronto para receber um decoder. Há 5 LEDs em cada lado para os faróis, number boards e luzes de classificação. E uma surpresa: a cabine tem interior! Mas infelizmente, por causa dos vidros ruins, mal dá pra ver quando a locomotiva está montada.

Pluguei um Loksound Select e a locomotiva funcionou de primeira! Mas o auto-falante não coube no espaço reservado para ele. Tive que retirar a caixa acústica de plástico, mas assim o som não fica tão bom. Então estou considerando usinar o Zamac do chassi para acomodar o falante completo ou refazer a caixa um pouco mais baixa. A velocidade baixa é incrível: a locomotiva rodou em velocidade 001!

Breve lista de prós e contras da G12 Prema:

Prós:

  • Única “Cabeça de Saúva” industrializada do mercado brasileiro
  • escala 1:87 de verdade
  • Pronta pra rodar
  • motor de 5 polos
  • volante de inercia
  • Faróis de LED
  • Pronta pra DCC
  • espaço pro auto-falante
  • Rodas de niquel-prata
  • carcaça de plástico ABS injetado
  • engates tipo Kadee
  • detalhes em metal

Contras:

  • Preço um pouco alto
  • Vidros com aspecto grosseiro
  • Alguns pequenos detalhes em desacordo com o protótipo, perfeitamente justificáveis por ser este o primeiro lançamento da empresa.

Conclusão

Ao fechar a locomotiva a sensação é a de que havia feito um bom investimento. O preço está um pouco acima do que o mercado está acostumado, mas a verdade é que o mercado está MAL acostumado. As opções nacionais não se comparam com essa e a verdade sobre as importadas é que chegam ao Brasil sem pagar o imposto de importação. Então não é justo comparar o preço da G12 da Prema com o das outras locomotivas importadas. Só posso imaginar a incrível burocracia pelo qual a Prema precisou passar para colocar esse produto no mercado brasileiro. O infame custo Brasil não perdoa empreendedores, muito menos nós, consumidores. Mas se considerarmos que esta é uma autêntica “Cabeça de Saúva” pronta pra rodar, o investimento vale a pena. Sim, existem pequenos detalhes que os "contadores de rebite" não deixarão passar, mas o fato é que a Prema oferece ao mercado a melhor e mais honesta opção pronta para rodar, a pronta entrega. Os pequenos detalhes podem ser corrigidos facilmente e em breve pretendo colocar um post aqui mostrando como fazê-lo. Faço votos, sinceros, de que este seja o primeiro de muitos lançamentos de sucesso da Prema.


Truques bem modelados, mas faltam detalhes nos mancais.



Decoder? É só plugar e correr pro abraço!



Interior da cabine.



Detalhamento da testeira: mangueiras, alavanca e a gaveta do engate. Neste caso, mais largo que o protótipo, pra acomodar o engate tipo Kadee. As quinas dos narizes deveriam ser mais arredondados.



Vidros das janelas podiam ser melhores. O defletor lateral do dinâmico é um pouco maior no protótipo.



O molde na área do chanfro do teto precisa ser melhorado, bem como o detalhamento das venezianas.



A carcaça é apenas encaixada no passadiço, o que facilita o desmonte para a pintura.



Circuito impresso pronto para receber um decoder.



Espaço para o auto-falante.


Sobre as G12 "Cabeça de Saúva" (Wikipedia)

A Companhia Paulista de Estradas de Ferro adquiriu 17 unidades, em bitola larga; por terem truques maiores, eram mais largas, porque os cilindros de freio ficam para fora do corpo de estrado da maquina. Também se tornaram mais pesadas, chegando a 80.000 kg. Os ferroviários as apelidaram de "cabeças de saúva", por terem as grades dissipadoras do freio dinâmico mais ressaltadas que as demais unidades, devido ao uso de motores de tração de bitola Stadard (1.435mm). Vieram com relação de engrenagens bem mais longa que as demais, por serem unidades para operar também os rápidos trens de passageiros da Paulista, podendo chegar a 121 km/h, entretanto, por medidas de segurança optou-se por limitá-las aos 90 km/h já no Brasil. Já nos anos 1980, as G12 ex - CPEF foram modernizadas com o novo motor 12-645E da EMD, mantendo sua potência original de 1425/1310 hp, exceto as unidades 7054, 7059 e 7061.

30 junho 2017

Sorteios do MPF Sorocabana

Se vc curtiu o material em latão que eu postei aqui há algumas semanas, vai adorar esta notícia: o Movimento de Preservação Ferroviária Sorocabana está sorteando alguns ótimos itens de ferromodelismo, entre eles uma LEW (Thunder Metal - Rômulo) e um carro BUDD (Segis e Mascarini) de latão! Esta é uma ótima oportunidade de por as suas mãos em dois itens raros e de extrema qualidade, além de outros prêmios.

Os sorteios tem por objetivo arrecadar fundos para levar para a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, alguns itens de material ferroviário histórico, entre eles a locomotiva elétrica "Francesinha" número 2201. Veja os cartazes abaixo.

Serão 25 sorteios, sendo 13 prêmios no 'Sorteio '1 e 12 prêmios no 'Sorteio 2'. Mas como a adesão à campanha está sendo muito boa, o número de prêmios pode aumentar. É possível obter um desconto comprando um único número para concorrer nos 2 sorteios (chance dupla).

Então não deixe para amanhã esta que pode ser uma chance única! Escreva para mpfsorocabana@gmail.com, peça mais informações de como participar e boa sorte!

E se quiser ajudar ativamente a preservação ferroviária no Brasil, espelha estes cartazes em suas redes sociais!

31 maio 2017

A Incrível LEW da Thunder Metal

A Lokomotivbau Elektrotechnische Werke (LEW) da Thunder Metal foi meu segundo investimento numa locomotiva em latão. A primeira, a G12 da MRCustom, do Marcelo Lordeiro, fez meu queixo cair. Mas quando recebi a LEW na escala HOm (1:87,1 em bitola métrica - 12mm), das próprias mãos do Rômulo de Sousa, caiu a cabeça inteira! Céus, como é possível tamanha perfeição?

O 5º Encontro de Ferromodelismo do RMC em Campinas, no último dia 20, foi a ocasião perfeita para receber minha encomenda. Faziam pouco mais de 5 meses que eu encomendara a LEW 153 da Mogiana com um dos maiores mestres do ferromodelismo nacional, o Rômulo de Sousa. Combinamos de nos encontrar na maquete da AMFEC, logo após o almoço. Pra começar, o Rômulo tira da mochila uma caixinha preta, de madeira, abre uma pequena trava e desloca a tampa, presa em duas dobradiças. No interior da caixa, um volume protegido por plástico bolha e espuma nas laterais da caixa. Era ela, claro!

O Rômulo retira a miniatura de dentro da caixa, desenrola o plástico bolha (a essa altura eu já tinha quase avançado nele, babando como um cão faminto) e coloca a LEW sobre a mesa (estávamos no térreo da Cabine 2, onde a AMFEC preparou um mini lounge). WOW! As cores eram perfeitas (uma grande preocupação minha, depois que percebi que a G12 estava muito escura) e num relance, todos os detalhes pareciam estar no lugar. O Rômulo foi descrevendo cada detalhe, das portas que abrem e fecham ao interior da cabine, todo detalhado.

Para se ter uma idéia, aqui vai o número de peças dessa locomotiva:

  • Cofre longo "nariz comprido”: 81 peças.
  • Cabina com interior: 56 peças.
  • Cofre curto: 45 peças.
  • Passadiço: 28 peças.
  • Chassis: 80 peças.
  • Truque: 25 peças X 4 truques: 100 peças.
  • Parte mecânica: 34 peças.
  • Total de peças: 424

Quando eu finalmente juntei coragem pra pegá-la com minhas próprias mãos eu pude perceber, agora mais de perto, que estava diante de um absurdo do ferromodelismo nacional. As venezianas são todas vazadas, como o protótipo! Existe, na face da Terra, algum modelo em H0 que reproduza uma veneziana assim? Os truques tem TODOS os detalhes do protótipo. Nas janelas, a borracha preta está representada. As janelas que abrem tem esquadria em alumínio. A ventoinha do freio dinâmico é móvel, gira. As portas da cabine tem maçanetas. O volante do freio de estacionamento está lá, dentro da cabine. O limpa trilhos é lindo! E a pintura dela toda, uma perfeição.

Pretendo instalar um decoder LokSound V4.0 com som customizado simulando o motor MGO V16 (locomotiva BB66000 francesa), que era o que equipava as LEW da Mogiana. Agradeço o Marlus Cintra pela ajuda na identificação do som correto para essa miniatura.

Olha, é bem difícil por em palavras uma obra de arte (você já deve ter percebido). Então pra facilitar a sua vida (e a minha), fiz várias fotos. Aproveite, mas coloque uma toalha sobre o teclado, pois a baba é garantida!

Gostou? Deixe seu comentário! É o feliz proprietário de um modelo construído pelo Rômulo? Me conta qual modelo e o que acha dele!

Sobre a LEW

A VEB Lokomotivbau Elektrotechnische Werke (LEW) "Hans Beimler", era uma fábrica situada em Hennigsdorf, ao norte de Berlim.

A VEB LEW foi parte do conglomerado de empresas formado também pelas fábricas VEB Berliner Bremsenwerk (fábrica de freios; antes da guerra parte da Knorr-Bremse), em Berlim, VEB Schichtpressstoffwerk SPW em Bernau e o VEB Galvanotechnik GTL (fábrica técnica de galvanização) em Leipzig.

Foi o único fabricante de locomotivas elétricas da Alemanha Oriental. Popularmente conhecida pela sigla LEW, forneceu locomotivas, de diversos tipos [1] para a China, URSS, Polônia e muitos outros países em desenvolvimento.

Para o Brasil foram enviadas 83 locomotivas diesel-elétricas para ferrovias paulistas (Paulista, Sorocabana e Mogiana), no final da década de 1960.

Estas locomotivas foram adquiridas para compensação do saldo comercial favorável que o Brasil possuía com a Alemanha Oriental, principalmente como pagamento de exportações brasileiras de café.

Fonte: WikiPedia.

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