20 dezembro 2012

Nm: bitola métrica em N

Estes vagões são para minha maquete freelance em Nm (bitola métrica em N, 1:160), uma ferrovia particular da Fazenda Ouro Verde, também fictícia, em bitola métrica.

Em São Paulo do início do século XX, muitas fazendas produtoras de café e cana de açúcar tinham suas próprias ferrovias e em geral, se conectavam com ferrovias maiores como Mogiana, Paulista, Sorocabana, Central, SPR e outras. A minha irá se conectar com a Mogiana, em algum ponto de interior paulista que ainda não decidi.

Este material rodante vem de kits americanos de vagões da época da guerra civil americana. Eram de bitola padrão originalmente, mas pequenos e têm a aparência e as dimensões de vagões da métrica brasileiros. Por isso, para começar, resolvi adaptá-los para a métrica, apenas colocando truques Nn3 da Micro-Trains. Depois pretendo modelar do zero meu próprio material.

Tanto o fechado quanto o gaiola são de madeira compensada muito fina, cortados à laser. A montagem é muito rápida e os encaixes muito precisos, como é de se esperar de uma material cortado à laser. Pintei com aerógrafo e envelheci com guache. Os decalques eu mesmo fiz, com impressora Alps (que imprime em branco) e papel decalque transparente.

É uma pena que as fotos não façam jus ao material ao vivo (culpa do fotógrafo)... Mas dá pra ter uma ideia da qualidade do resultado final dos modelos. Eles tem apenas 2 polegadas de comprimento, mas os detalhes são tão finos quanto os melhores modelos em H0. Alguns feitos em photoetch, outros em fios de latão muitos finos. O engate também é Micro-Trains e é do tipo automático, magnético.

O teto do fechado não me agradou muito... Pretendo retirá-lo no futuro e fazer outro, imitando chapas corrugadas, como era o padrão no Brasil. O volante do freio que veio no kit era tipo volante mesmo, circular. Preferi fazer tipo manivela, como era o padrão na Mogiana, já que essa ferrovia irá se conectar com ela e o natural seria fornecer este tipo de material para o parceiro ferroviário.

O material Nn3 roda em trilhos da bitola padrão da escala Z (6,5mm) que, quando usados na escala N, assumem as dimensões aproximadas da bitola de 3 pés americana (Nn3), bitola métrica brasileira (Nm) e outras bitolas próximas da métrica, como a Sul Africana e Australiana.

Até onde eu sei, é o primeiro caso de uma modelagem Nm/Nn3 no Brasil. Se você conhece quem modele em Nn3 ou deseja tentar você mesmo, entre em contato.

09 novembro 2012

Vídeo HD da maquete Z do Ronaldo Vaz

A maquete Z do Ronaldo Vaz é um show e tem recebido merecida admiração também de modelistas estrangeiros, através de destaques em revistas americanas. Agora ele apresenta este fascinante vídeo, mostrando a operação de sua maquete. Note como a locomotiva roda numa velocidade muito realista para a escala. É preciso lembrar que o Ronaldo é daqueles que prefere fazer TUDO em casa, incluindo a locomotiva (e seu motor!), o carro de passageiros, construções, vegetação, enfim, tudo mesmo quase a partir do zero.

11 julho 2012

Bitolinha em HO

Bitolinha em 1:87.
Chivers Finelines Forney 2-4-4, construída por Peter Bartlett, via Wikipedia.

Bitolinha é o nome carinhoso pelo qual ficaram conhecidas, no Brasil, as ferrovias com bitolas menores que 76 cm. Existem várias práticas que envolvem a modelagem de bitolinhas, na escala HO (1:87,1).


Vídeo de locomotiva HOn30 da Toma Model Works.

A mais popular é sem dúvida usar trilhos e chassis da escala N (1:160), fazendo com que a bitola de 9 mm, em HO, represente algo em torno de 784 mm, o que daria para modelar muito bem a Bitolinha da EFOM, por exemplo, cuja bitola é de 760 mm. Há inclusive quem modele as famosas "two-footers", ferrovias com bitola de aproximadamente 60 cm, aceitando um desvio de escala de 30% na bitola.

Essa combinação de escala 1:87 mais bitola de 9 mm ganha dois nomes, dependendo do protótipo de ferrovia que se está modelando (europeia ou americana): HOe na Europa e HOn30 (e as vezes HOn2½) nos EUA.

Bitolinha em 1:87.
Bitolinha em 1:87.
H0n30 Porter scratchbuilt por Chris Schmuck. Veja mais fotos.

Mas há também quem aceite o desafio de modelar as bitolinhas de 60 cm com material da escala Z: trilhos e chassis com bitola de 6,5mm. Dessa forma, os trilhos representariam uma bitola de 566 mm em 1:87 (um desvio de apenas 6%, contra os 30% dos trilhos N), muito mais perto da bitola real de 60 cm do que os trilhos de 9 mm da escala N. Além disso, os chassis da escala Z são ultra pequenos, permitindo a modelagem de locomotivas realmente MUITO mais pequenas da bitolinha na escala HO, do que permitiriam os chassis da escala N.

Esta combinação de escala 1:87,1 mais bitola de 6,5mm, assim como no caso do HOe e HOn30, ganha 2 nomes diferentes, dependendo do protótipo modelado: HOf na Europa e HOn2 nos EUA.

Em boa parte dos casos é o modelista quem constrói seu próprio material rodante, mas há também algumas opções RTR (Ready-to-Run, ou em português, pronto pra rodar). É o caso das alemãs Busch e da Panier que oferecem material HOf e a americana Minitrains que oferece material em HOn30.

Bitolinha em 1:87.
Shay em H0n30 impresso em 3D pela Shapeways.

Catálogo H0f 2012 da Busch (PDF).

Existem alguns kits muito bons pra quem não quer começar do zero, mas também não encontrou o material RTR que queria. A japonesa Toma Model Works oferece vários kits compatíveis com protótipos brasileiros, em várias escalas e bitolas, inclusive H0e e H0f.

Na Shapeways, é possível comprar impressões 3D de modelos pré-projetados em H0n30 (bem como outras escalas). Obviamente, se você tiver habilidade com modelagem em 3D, você poderá desenhar seu próprio modelo e imprimi-lo na Shapeways, restando apenas instalar a mecânica, tirada de outra locomotiva ou comprada de um dos vários micro produtores de chassis, como o PowerMax da SeaRails.


Vídeo de um HOf scratchbuilt alemão.

Espero que este post tenha lhe inspirado a modelar bitolinha em H0. H0 é de longe a escala mais popular no Brasil e o Brasil foi um verdadeiro paraíso da bitolinha no passado, com inúmeras ferrovias de bitola de 60 cm e a famosa 76 cm da Oeste de Minas, que atrai a atenção de fãs estrangeiros do mundo todo. Em São Paulo a antiga Perus Pirapora, ferrovia com bitola de 60cm, continua atraindo fãs com seu passeio turístico e seu trabalho de preservação, através do IFPPC. No Brasil rodaram locomotivas de bitolinha vindas de todos os principais fabricantes do mundo, então encontrar um modelo RTR, ou um kit de uma O&K, Porter ou até mesmo Baldwin que possa ser usada para modelar um protótipo brasileiro não é tão difícil.


Vídeo do material Busch em HOf na feira de Nuremberg.
Bitolinha em 1:87.
Diema em H0n30.

Tenho notícia de apenas um modelista que topou o desafio de modelar um protótipo brasileiro em Hn30. Fernando da Silva Rodrigues construiu a locomotiva diesel Diema da Perus-Pirapora. Ele usou um chassi de locomotiva N e a carcaça construiu em poliestireno. E você, tem vontade de modelar uma bitolinha? Em que escala? Escreva seus comentários.

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